E na altura era e ainda sou introvertido e a verdade é que rap foi uma forma de exprimir-me.
E sobre a cultura de que o rap provem, o hip-hop, o que é para ti esta cultura?
Olha, primeiro vou explicar a ideia básica para depois passar para o mais complexo, o Hip hop tem quatro vertentes: MCing, Djing, Graffiti e breakdance. Ainda há quem considere o beatbox uma quinta vertente, tudo bem mas essa é a base, aquelas quatro.
RAP é ritmo e poesia o dj trás o ritmo e o mc a poesia. Ou seja, rap é o estilo musical do hip hop. E até tem piada ver que hoje em dia há pessoas que dizem que rap e hip hop são estilos musicais diferentes, também se ouve muito a expressão "dançar hip hop" mas isso não existe, porque a dança do hip hop é o breakdance.
Graffiti é a expressão visual do hip hop e tu não vês ninguém a dizer vou pintar hip hop... mas tal como disseste na pergunta, a palavra-chave é cultura. Numa sociedade a cultura em que estás inserido, ou seja, onde vives, vai ditar um pedaço a maneira como vives, e eu como mc a minha cultura é hip hop, então a maneira como eu vivo é a expressar-me através de poemas e recitá-los na música.
E hoje em dia, o hip hop é universal, nasceu nos estados unidos, existe lá, existe cá em portugal e até chegou a lugares como china e Japão. E em pleno séc. 21, é um pedaço até triste ver pessoas a dizer que rap é música de pretos.
Nasceu nos estados unidos, há que respeitar isso, entre negros e onde havia desigualdade, apartheid e todo esse racismo, mas faz sentido um estilo de música que transmita uma mensagem de revolta, mas sempre a querer a igualdade e é por isso que o rap faz sentido.
Olha, surgiu nas festas, depois evoluiu mais para isto que estou a te dizer de mensagens de revolta e hoje em dia até evoluiu para algo que eu nem considero rap, mais depressa pseudo-rap.
Como é que te caracterizas como rapper?
Considero-me um rapper consciente, porque as minhas letras são feitas para te fazer pensar, apelo à tua consciência. Não te quero fazer dançar... Também podia definir-me como um rapper positivo mesmo que eu faça musicas mais deprimentes, no final a mensagem é sempre positiva, é isso, rapper consciente e positivo.
Qual é a tua fonte de inspiração quando escreves as tuas músicas?
A minha fonte de inspiração é a minha vida, por exemplo, se eu me sentir apaixonado
o mais normal é eu fazer uma música romântica. Se eu me sentir em baixo também não é de estranhar que eu faça uma música mais... deprimente mas com uma mensagem positiva no final como disse acima.
Mas é isso, a minha vida. Houve uma altura em que senti necessidade de falar sobre sonhos.
Outra que tive alguma nostalgia de infância e outra que fiz tributos à musica.
Quais são as tuas influencias?
No rap português tenho o Valete, que actualmente é o melhor para mim, Sam the kid, Dealema, e até um que é menos conhecido, o Osiris. No rap norte-americano: Cise Star dos CYNE, Black Thought dos The Roots, Common, Nas, Jedi mind tricks e Gangstarr
Olha já agora vou-te dizer também dj’s e produtores, Nujabes, Dj Whitesmith, DJ Premier dos Gangstarr e o stoupe dos jedi mind tricks.
Como é que gravas e divulgas as tuas músicas?
Gravo-as em casa porque os meus pais apoiaram-me nisto do rap e tenho material decente para gravá-las. E divulgo-as pela Internet. Tipo youtube, facebook, myspace. Não chega a muitos mas chega a alguns.
Tens alguma dica, algum conselho para os novos aspirantes a rappers que neste momento estão a entrar no mundo do rap?
Para começar não entrem nisto por estar na moda ou para ser fixe. Dêem tudo nas letras porque é o mais importante.
E fazer rap é daquelas coisas que parece fácil mas não é, é difícil, por isso o caminho é longo, mas se realmente gostarem de rap e investirem algum do vosso tempo nele, os resultados vão acabar por aparecer.
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